Em memória de
Mary Anning
Achou os fósseis que mudaram a geologia; não pôde entrar na sociedade que os usou
- Nascimento
- Falecimento
- Viveu
- 47 anos
- Local de sepultura
- Adro de St Michael's, Lyme Regis, Dorset, Reino Unido
A família de Anning vendia aos turistas fósseis apanhados nas falésias desmoronadas de Lyme Regis, comércio que mal lhes dava de comer. Tinha doze anos quando ela e o irmão puseram a descoberto o primeiro esqueleto de ictiossauro devidamente descrito; depois achou os dois primeiros plesiossauros completos e o primeiro pterossauro fora da Alemanha. O trabalho fazia-se no inverno, quando os desabamentos descobrem rocha nova, e quase a matou mais de uma vez; um deslizamento de 1833 soterrou-lhe o cão ao lado.
Lia quantas memórias conseguia obter, copiava-as à mão, dissecava peixes e lulas atuais para comparar, e descobriu o que eram os coprólitos. Os geólogos iam a Lyme consultá-la e publicavam depois os seus achados com o próprio nome, sem a citar. Mulher e dissidente, não podia entrar na Sociedade Geológica nem votar nela, e escreveu-o: o mundo portara-se mal com ela. Morreu de cancro da mama aos quarenta e sete anos. O vigário e alguns membros da Sociedade Geológica puseram na sua igreja paroquial um vitral em sua memória, e o presidente da sociedade, Henry De la Beche, leu perante ela um elogio fúnebre que imprimiu nas suas atas — o primeiro que alguma vez dedicara a uma mulher. A sociedade só admitiu mulheres em 1904.
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