Em memória de

Aleijadinho

Esculpiu os profetas de Congonhas com as ferramentas amarradas às mãos

Antônio Francisco Lisboa era filho de um arquiteto português e de uma africana escravizada, nascido escravo e alforriado na pia batismal pelo próprio pai. Quase nada da sua vida é seguro — até o ano de nascimento é dado como 1730 ou, mais provavelmente, 1738, e a fonte principal foi escrita quarenta anos depois da sua morte. Tornou-se o maior escultor e arquiteto do Brasil colonial sem nunca sair da província mineira de Minas Gerais. Trabalhava a pedra-sabão e o cedro, desenhava igrejas inteiras e depois esculpia ele próprio portadas, púlpitos e santos, num estilo que pegava no barroco europeu — conhecido apenas por gravuras — e o torcia para algo inquieto e seu.

Passados os quarenta, atingiu-o uma doença degenerativa, cuja natureza ainda se discute, que lhe destruiu dedos das mãos e dos pés e lhe desfigurou o rosto; a alcunha Aleijadinho vem daí. Continuou a trabalhar, levado aos andaimes por ajudantes, com martelo e cinzel amarrados aos cotos, e nesse estado fez os doze profetas de pedra do adro de Congonhas e as sessenta e seis figuras de cedro da via-sacra logo abaixo. Morreu pobre e quase cego aos setenta e seis anos e foi sepultado na igreja da irmandade a que pertencia, em Ouro Preto. A sua obra é Património Mundial da UNESCO.

Esta página foi redigida pelo sítio a partir de fontes históricas públicas.

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