Em memória de

Juan Rulfo

Escreveu dois livros finos e mudou a literatura latino-americana

Rulfo perdeu o pai, assassinado, e a mãe, doente, antes dos dez anos; cresceu num orfanato de Guadalajara e ganhou a vida como vendedor de uma empresa de pneus e depois no Instituto Nacional Indigenista, percorrendo o país e fotografando-o. Publicou um livro de contos, O Llano em Chamas, em 1953, e um romance curto, Pedro Páramo, em 1955, e depois praticamente parou, coisa que lhe perguntaram durante trinta anos e a que respondia encolhendo os ombros.

Pedro Páramo passa-se em Comala, aldeia onde um filho vai procurar o pai e só encontra os mortos, que falam. Apaga a fronteira entre vivos e mortos, e entre um tempo e outro, tão por completo que Gabriel García Márquez dizia sabê-lo de cor e afirmava que lê-lo o desbloqueara para Cem Anos de Solidão; Borges tinha-o por um dos melhores romances em castelhano. Rulfo deixou ainda umas seis mil fotografias do México rural, austeras e sem sentimentalismo, hoje tidas como obra por direito próprio. Morreu de cancro do pulmão aos sessenta e oito anos, na Cidade do México. Onde foi sepultado não consta das obras de referência, pelo que a marca fica em San Gabriel, Jalisco, a vila onde cresceu e a paisagem de que são feitos os seus dois livros.

Esta página foi redigida pelo sítio a partir de fontes históricas públicas.

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