Em memória de

Artemisia Gentileschi

Torturada como testemunha no julgamento da sua própria violação; pintou Judite com exatidão de carniceiro

Gentileschi formou-se com o pai pintor em Roma e foi violada aos dezassete anos por Agostino Tassi, um colega contratado para lhe ensinar perspetiva. O pai moveu processo — por dano à sua propriedade, segundo o direito da época. Durante os sete meses do processo foi interrogada sob tortura, com os cordéis apertados enquanto a obrigavam a repetir o depoimento, no raciocínio de que a dor estabelece a verdade. Tassi foi condenado e a pena nunca foi executada. A ata conserva-se e lê-se hoje como documento sobre a maneira como estes casos eram tratados.

Deixou Roma e foi a primeira mulher admitida na Academia do Desenho de Florença; trabalhou para os Médicis, correspondeu-se com Galileu, dirigiu o seu próprio atelier e pintou depois em Nápoles e na corte inglesa. A sua Judite Decapitando Holofernes mostra duas mulheres a fazer um trabalho físico pesado com concentração inteira, e é isso que a distingue de todas as versões masculinas. Morreu em Nápoles por volta de 1656, provavelmente na peste que levou metade da cidade. A igreja onde foi sepultada foi demolida; não há campa, e durante três séculos os seus quadros foram catalogados com o nome do pai.

Esta página foi redigida pelo sítio a partir de fontes históricas públicas.

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