Em memória de

Cora Coralina

Publicou o primeiro livro aos setenta e cinco anos, depois de uma vida de doceira

Ana Lins dos Guimarães Peixoto Bretas deixou a escola depois do terceiro ano e ouviu dizer, como se dizia às meninas da sua terra e do seu tempo, que aquilo chegava. Casou, foi para São Paulo, teve seis filhos, enviuvou e sustentou a família a vender livros de porta em porta e depois a fazer e vender doces. Escreveu todo esse tempo, em cadernos, sem publicar, durante mais de cinquenta anos.

Aos setenta e um voltou à velha vila colonial de Goiás e à casa onde nascera, e aos setenta e cinco lançou o primeiro livro, Poemas dos Becos de Goiás. Os poemas são feitos do que viveu de facto: lavadeiras, ruas de pedra, o rio que transborda, prostitutas que se recusava a olhar de cima, e o facto simples de ser uma velha que ainda trabalha. O Brasil adotou-a por inteiro na última década da sua vida. Morreu aos noventa e cinco anos e está sepultada na sua vila; a casa é hoje um museu, e os doces que vendia ainda ali se fazem pelas suas receitas.

Esta página foi redigida pelo sítio a partir de fontes históricas públicas.

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